| Semana de Moda de Paris: 30/09 a 07/10 |
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| Por Mirela Lacerda | |
| 01 de October de 2007 | |
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07/10/07 Lanvin: inspirado em deusas gregas, Alber Elbaz fez um dos desfiles mais leves e femininos da semana. Vestidos e trenches plissados em cores neutras, como cáqui e marinho, abriram o show, depois, foram entrando as penas de avestruz e os brilhos e bordados nos vestidos trapézio e retos. As cores vivas, como laranja, amarelo, verde, azul e roxo apareceram em longos fluidos, com detalhes nas barras e nas togas de um ombro. Houve espaço também para uma releitura do smoking, com calça ajustada, camisa branca e a gravata borboleta que também é a marca registrada do estilista. Fotos: reprodução Louis Vuitton: Bob Esponja e o trabalho de Richard Prince, o novo artista a colaborar com a marca, foram as inspirações para Marc Jacobs criar a primavera 2008 da grife. As frases e desenhos de Prince estavam impressas nas bolsas. A coleção em si deu continuidade ao que Marc apresentou em Nova York, com influências surrealistas, muitas cores misturadas, tecidos texturizados (aí entra o Bob Esponja) e peças desencontradas. Um time de supermodels, incluindo Naomi Campbell, Stephanie Seymour, Eva Herzigova e Nadja Auermann, abriu o desfile, vestidas de enfermeiras, com chemisiers brancos semi-transparentes e vestidos coloridos por baixo. Na cabeça de cada uma, um chapéu com uma das letras formando a palavra Louis Vuitton. Depois vieram os looks de saias (a maioria reta e abaixo do joelho) com blusas, alguns vestidos, calças e luvas transparentes, casacos com um certo volume, estampas e scarpins pontudos, além de batom azul na boca das modelos. Uma coleção cheia de conceito mas, é claro, perfeitamente comercial.
Miu Miu: o “Lago dos Cisnes” e arlequins e pierrôs (figuras recorrentes nesta temporada) foram algumas das influências de Miuccia Prada. Os comprimentos eram extremamente curtos, com micro shorts, bloomers e micro saias de babadinhos usados com blusas de golas pontudas em verde, preto, dourado, vinho e amarelo, além de listras, estampas de losangos e dos personagens carnavalescos. Nos acessórios, uma continuação do que a Prada fez: sandálias em patchworks coloridos, carteiras em forma de borboleta e botas incríveis!
Nina Ricci: a natureza, os anos 80 e os 60 foram a inspiração para Olivier Theyskens colocar na passarela uma coleção simples e comercial, afastando-se um pouco dos tradicionais longos que marcaram sua carreira. A abordagem “street” estava visível no jeans, nas camisetas estampadas, e até numa jaqueta de couro. Mas o glamour tão característico do estilista estava presente nos cetins, nas peles, no efeito degradé de alguma peças e, é claro, nos vestidos longos do final: plissados, em branco e prateado e modelados em forma de ampulheta.
06/10/07 Chloé: mais leve do que sua coleção de estréia e criando uma nova identidade para a grife, Paulo Melim Andersson desenvolveu peças cheias de transparências e sobreposições, num interessante jogo de modelagem. A cintura dos vestidos era desabada e eles vinham em fundo branco ou preto com estampas abstratas coloridas. O destaque vai para os recortes inusitados das blusas e saias. Para completar, shorts, leggings de chifon, sandália abotinadas e carteiras-envolope de couro croco – a forma de bolsa da temporada. Fotos: reprodução John Galliano: em mais um de seus shows teatrais, o estilista inspirou-se no documentário cult “Grey Gardens”, de 1975, e montou um cenário com direito a performances das modelos. Na passarela, uma mistura de melindrosas dos anos 20, vestidos enviesados da década de 30, maiôs, estampas florais e aplicações de rosas. Seus já clássicos vestidos longuetes com babados na barra estavam lá, assim como alguns baby dolls brancos e rosas, casacos com volume, enormes chapéus e detalhes de penas e peles. Tudo muito Galliano.
Hermès: na viagem para Índia que Jean Paul Gaultier inspirou-se para esta coleção, havia opções clássicas, como as jaquetas de vários botões, as calças pantalonas ou jodhpurs, e botas de montaria, mas também apareceram versões moderninhas de sáris com detalhes metalizados, usados com leggings por baixo, vestidos e blusas drapeados, túnicas e turbantes. As cores seguiram a mesma lógica: preto, branco, marinho e bege alternaram-se com roxo, amarelo e rosa.
Alexander McQueen: Isabella Blow ficaria imensamente orgulhosa. No desfile em sua homenagem, McQueen fez uma retrospectiva de toda a sua carreira, incluindo a fase Givenchy, e conseguiu se superar com a provável melhor coleção de sua vida (e uma das melhores da temporada). Estava tudo lá: os looks elegantérrimos de alfaiataria com xadrez príncipe-de-gales, a cintura marcada por cintos de vários tamanhos, as cores em degradê e as estampas de pássaros, a pele de cobra, os quimonos estilizados, a experimentação com volumes, as rendas, os longos românticos....enfim, com a colaboração de Philip Treacy nos belos chapéus, ele conseguiu deixar o público duplamente emocionado com um show de tirar o fôlego. Fotos: reprodução Chanel: Karl Lagerfeld decidiu dar um passeio pelos EUA dos anos 50, deu um pulinho na década de 30 e em alguns momentos vislumbrou o que seriam as roupas Chanel a preços populares, pois boa parte dos looks, vistos por leigos, jamais custariam mais de 50 euros. As peças em blue jeans que abriram o desfile são o melhor exemplo: calças, jaquetas, maiôs e macacões de denim desgastado, muito longe do glamour da grife. Quando o tweed entra em cena junto com os vestidos de poás e um tailleur, a coisa começa a mudar de figura. É a hora também das estampas de estrela, da silhueta 30’s e das listras, além de alguns toques militares nos bolsos e portinholas das jaquetas, que vêm com ilhoses por onde saem correntes. A renda preta ganha espaço, há o momento esportivo com as raquetes de tênis, a influência da alfaiataria aparece em algumas peças e o desfile termina com vestidos e conjuntos de blusas e saias transparentes (com shorts por baixo). O que merece mais destaque são os acessórios: sandálias com micro bolsinhas no tornozelo (super prático pra dançar) e uma bolsa com um vazado central com vários bottons, que já deve ter lista de espera desde ontem!
Celine: Ivana Omazic idealizou a coleção em cima de dois objetos históricos: ossos de baleia (matéria-prima para o espartilho) e crinolina. O resultado foi o desfile mais consistente da grife em anos. As peças eram vestidos, saias e blusas com a estrutura que lembrava um corselet e formava uma bela silhueta. Além disso, um trench mais volumoso, uma jaqueta motoqueiro e alguns shorts completaram o show. Na cartela, nada de estampas, apenas branco, laranja, azul e rosa. Fotos: reprodução Giambattista Valli: o estilista tem chamado bastante atenção, principalmente por vestir algumas celebridades (Mischa Barton é uma de suas maiores fãs). Na verdade, Valli é um craque na hora de deixar as mulheres lindas sem muito esforço, graças às técnicas que emprega. Os looks do desfile não negam: inspirado na eterna modelo Veruschka e na Arábia, ele iniciou com um caftã preto e continuou trabalhando com volumes nas mangas, nas saias e nos babados dos vestidos de organza e chiffon. As cores (branco, preto, azul-bebê, amarelo limão, rosa e fúcsia) e as estampas com fundo prateado foram perfeitas. No final, os longos tomara-que-caia, todos sérios candidatos aos tapetes vermelhos da vida.
Stella McCartney: o sorriso no rosto das modelos estampava o clima do desfile: leve, descontraído e cheio de peças descomplicadas. Os primeiros vestidos florais, longos e fluidos, já mostravam que a estilista está em território mais do que conhecido e muito bem-sucedido (sua marca atingiu as metas que o Grupo Gucci delimitou um ano antes). Além dos vestidos de voal de seda, alguns trench-coats, blusas e calças um pouco mais estruturados apareceram. Mas as transparências, os shorts, os maiôs, os chemisiers e os famosos macacões foram as estrelas, além de pijamas de seda, baby dolls, peças em crochê e muitos babados.
Yves Saint Laurent: elegância pós-minimalista. É a melhor definição (obrigada, Sarah Mower) para o trabalho de Stefano Pilati e que vem ganhando cada vez mais adeptas entre as mulheres adultas e que precisam de roupas estruturadas na hora de se vestir. Continuando o caminho da última coleção, o desfile começou com blazers pelos quadris com ombreiras pontudas, calças de cintura alta (as únicas da temporada) quase semi-baggies, coletes, camisas e jaquetas. Só que o estilista também tinha em mente deusas gregas e estrelas e elas vieram em forma de belos vestidos assimétricos, alguns de um ombro só, e em correntes de plástico e colares estrelados. A cartela de cores que começou neutra, com cinza, bege, branco e marinho, aos poucos ganhou brilhos e tons mais contrastantes como lilás, vinho e azul. Absolutamente impecável.
Christian Lacroix: com referências à década de 40, Lacroix fez um mix de formas femininas, com cintura marcada, saias acima dos joelhos, mangas fofas e chapéus, característica dos anos de guerra, com casacos mais estruturados e lisos e algumas jaquetas. As cores, suas principais marcas registradas, apareceram nas estampas abstratas em rosa e preto ou amarelo e preto e nos tecidos multicoloridos dos vestidos longos e curtos, na parte final do desfile. Fotos: reprodução Dries van Noten: ele é um dos poucos estilistas que sabem misturar estampas e cores de uma forma fresca e absolutamente comercial. Seus florais são românticos e étnicos ao mesmo tempo (com o chinelinho nos pés das modelos então...). As peças eram simples: vestidos retos, saias, shorts, calças e blusas transpassadas de seda e outros tecidos leves.
Givenchy: Riccardo Tisci está dando largos passos em direção à retomada do sucesso da grife. Com uma coleção consistente e forte, o estilista recriou guerreiras urbanas, com a sofisticação necessária à marca. O militarismo ficava por conta das sandálias gladiador amarradas, dos cintos-bolsa, das jaquetas e dos mega-ilhoses na barra das peças. Por outro lado, as transparências, os volumes e babados nas calças, bermudas e blusas, e as assimetrias garantiam o glamour. Para completar, estampas de bolas em degradê e uma cartela neutra, com preto, branco, bege e azul-claro.
Karl Lagerfeld: numa passarela nas cores do arco-íris, o desfile começou com looks que mais pareciam releituras do jeito que Lagerfeld se veste (camisas com colarinhos altos, luvas e calças skinny). Mas, aos poucos, as peças foram ganhando um ar anos 50, com saias rodadas, cintura marcada e transparências. O arco-íris também foi se revelando com o preto e branco sendo substituído por amarelo, azul, laranja, verde, rosa e lilás.
02/10/07 Balenciaga: anote aí: estampa floral é a principal tendência da próxima estação. Depois de ver o desfile da grife você ainda tem alguma dúvida? Mais uma vez Nicolas Ghesquiére tem o mundo da moda a seus pés e disputando enlouquecidamente um espacinho para ver o desfile mais esperado da temporada. A coleção em si é muito simples: mini vestidos ou mini saias/shorts e blusas com estampas multicoloridas de diversas flores na primeira parte e no fim, calças justíssimas e blusas de cetim em tons pastel. Mas a modelagem e os tecidos utilizados...fazem toda a diferença. O volume nos ombros, a cintura marcada e os quadris destacados foram construídos com espuma de roupa esportiva e eram quase armaduras de tão firmes. E as sandálias/botas gladiador faziam o contraste perfeito com o romantismo das flores. Simplesmente maravilhoso! Fotos: reprodução Comme des Garçons: Rei Kawakubo fez um mix de cartoons (eles eram projetados no chão da passarela), com circo e alfaiataria. Uma mistura, claro, que só dá certo na grife. O desfile começou com um macacão rosa em camadas, depois vieram as jaquetas e casacos em sobreposição, as peças pela metade, as blusas e vestidos de pétalas, as saias e vestidos de muitos babados, as calças tipo ceroula rasgadas e as estampas gráficas misturadas, tendo como base rosa, amarelo, lilás e azul royal, além de toques de cinza e marrom.
Jean Paul Gaultier: o estilista poderia muito bem ter feito o figurino de “Piratas do Cariber”, pois em sua passarela havia opções para todos os personagens do filme, do capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) à Elizabeth de Keira Knightley. As corsários ganharam volume e viraram jodhpurs mais curtas, as jaquetas e casacos mais longos vinham em camadas e camadas de sobreposição e os corselets apareciam com calças, saias de tule ou por baixo das blusas transparentes. Os acessórios não poderiam ser diferentes: chapéus enormes, botas e detalhes de caveira. No final, no lugar da tradicional noiva, várias modelos com vestidos de noiva de diferentes estilos invadiram a passarela.
Viktor & Rolf: foi a coleção mais comercial e delicada da dupla holandesa, uma releitura dos arlequins que se transformou em um desfile poético. As cores eram apenas branco, preto e rosa bebê e as formas incluíam mini vestidos e longos retos, blusas e calças com volumes e babados, mini saias, um look inspirado no smoking, golas e detalhes com os famosos losangos e detalhes de rendas, além de aplicações de violinos.
A.F Vandevorst: o melhor da temporada parisiense é que você sabe que cada desfile é uma surpresa e isso dá um frescor maravilhoso não só para a moda, mas para quem faz a cobertura, afinal, quatro cidades e uma média de 10 (ou mais!) desfiles por dia em um mês não é nada fácil...mas voltando ao que interessa, a dulpa belga An e Filip começou em clima “Blade Runner” com trenches e capas de plástico transparentes, usadas sobre lingeries. Depois, os sutiãs e calcinhas ganharam mais destaque e apareceram por cima de algumas peças. Efeito degradé nos tecidos, plissados, drapeados, meias ¾, chemisiers e vestidos longos em tons de nude e cinza deram o tom do desfile. Fotos: reprodução Christian Dior: Galliano quis fazer uma retrospectiva despretensiosa de seus 10 anos à frente da grife e o resultado foi uma de suas melhores coleções de todos os tempos. Com referências aos anos 20, 40 e ao guarda-roupa masculino, estavam lá vários de seus hits: ternos risca-de-giz, vestidos enviesados, blazers e vestidos transpassados, japonismos, lingerie, estampa de leopardo, saias retas e os tradicionais longos, em vermelho, verde-água e lilás. Outros detalhes que fizeram toda a diferença: as transparências, os bordados e aplicações de flores (nas roupas e na cabeça das modelos), as rendas e jacquards, as peles em alguns casacos, as bolsas pequenas de mão e a maquiagem carregada, outra marca registrada de Galliano.
Martin Margiela: de um dos estilistas mais conceituais que se tem notícia, pode-se esperar tudo, até mesmo uma coleção que mistura futurismo com lingerie/swimwear. O desfile começou com looks de duas cores (preto/bege, bege/branco...) com peças que lembram underwear, mas usadas de uma forma geométrica, com braceletes de tecido na altura do bustier, por exemplo, o que lembrava blocos de tecido. As ombreiras, que já foram o destaque da última coleção, ficaram mais pontudas (Jane Jetson adoraria). Houve espaço também para as estampas meio abstratas, meio heavy metal, as calças rasgadas, as botas/sandália que iam acima dos joelhos e os óculos/fendas que praticamente tampavam os olhos das modelos.
Undercover: Jun Takahashi começou seu desfile com biquínis e micro vestidos com as estampas e aplicações bizarras que ele adora: uma caveira na blusa, um decote que formava uma aranha e por aí vai...mas apesar disso, a coleção era bem feminina, com mini saias volumosas, casaquinhos, trenches, vestidinhos, calças de seda estilo pijama e uma variedade de cores que ia do bege ao azul royal, passando pelo vermelho e amarelo limão.
Vivienne Westwood: ela é uma das poucas estilistas que faz protestos políticos em seus desfiles (Zuzu Angel foi a pioneira), mas nem por isso perde seu bom humor. A coleção foi construída em cima de volumes localizados, principalmente nos quadris e no busto, já que Vivienne idealizou o casamento de Marilyn Monroe com um lorde inglês...assim, os cardigãs vinham com o abotoamento desencontrado e os vestidos tinham enchimentos e drapeados em várias partes, deixando até mesmo as modelos “fofas” demais.
Yohji Yamamoto: a brincadeira do estilista era enganar os olhos do público, com peças que pareciam ser uma coisa de frente, mas eram completamente diferentes atrás. O desfile começou com macacões de mil detalhes diferentes, em algodão preto, e terminou também com macacões, só que de couro prateado. No meio, saias de babados, muito volume, jaquetas, vestidos longos e uma estampa oriental, que misturava flores com dragões.
Balmain: Christophe Decarnin leva a sério o termo hippie-chique e para a primavera 2008 a coleção estava cheia de referências ao tema. Vestidos bordados e de tecidos fluidos, penas, ponchos, calças boca-de-sino, túnicas, coletes, um macramé bordado e muitos brilhos deram o tom do desfile. Para completar, alguns vestidos corselets e tomara-que-caia, além de sandálias gladiador nos pés das modelos. Definitivamente, os anos 70 estão de volta. fotos: reprodução Rick Owens: trabalhando apenas com preto, branco e cinza, o estilista americano põe toda a sua criatividade na modelagem das roupas. As formas são quase origamis com tantos recortes e sobreposições, como nas blusas e casacos de golas super altas, com a frente em camadas de tecidos que constroem peças únicas e exclusivas. Vestidos retos, com volumes localizados e calças dhoti (quase bermudas mas fofas nos quadris) foram outros destaques da coleção.
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