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SPFW: Espaços Individuais, Culturas Coletivas Imprimir E-mail
Por Crib Tanaka   
25 de January de 2008

     A mistura de culturas e a individualidade marcaram essa última edição do SPFW. Na Bienal, estandes como o Natura Coletivo, feito em parceria com o SPFW – onde pessoas eram fotografadas e televisionadas em telas que cercavam o ambiente – e o da própria Natura, que trabalhou com o tema “o rosto é uma tela em branco”, isso ficou claro. O vídeo que iniciava cada desfile também marcou essa temática e girava em torno de pessoas em diferentes ambientes (rua, metrô, boate, obras). Enquanto olhamos para a frente, buscando novas perspectivas e aproveitando tudo que a tecnologia pode trazer e acelerar, também iniciamos um olhar slow, para dentro, para as nossas memórias, culturas e heranças, tentando a construção de um novo espaço: individual, único e somente nosso. Olhando um pouco para o baú de recordações e para o caldeirão de novos desejos, alguns desfiles apresentaram referências a diferentes culturas.


     Érika Ikezili entrou na onda das comemorações de 100 anos da imigração japonesa e usou a cultura nipônica como referência. O tema casou com seu trabalho minucioso de formas geométricas e apareceu nos quimonos e plissados, assim como na mistura de estampas.


     A coleção masculina de Fauste Haten dividiu-se entre México de Frida Kahlo e a androginia de Marlene Dietrich. Para levar às passarelas o México caliente e extremamente marcante, ele apostou nas flores bordadas ou aplicadas, nas rendas, babados e listras coloridas. 


     Giselle Nasser, que tem como características criações femininas, marcantes e românticas, trouxe como uma de suas referências as bruxas celtas (ao lado dos deuses indianos e figuras de tarô). A civilização, que dominou durante milhares de anos a Europa Central e Ocidental, já serviu de inspiração para Giselle há muitos anos atrás, na última edição da Casa de Criadores no Rio de Janeiro. A referência parece nos recortes, estampas com temática da natureza e nos cinturões marrons e pesados. 


     A aristocracia inglesa e os símbolos do império britânico foram inspiração para Samuel Cirnansk. O estilista, que constrói lindamente vestidos de noite e peças couture, apostou em criações dignas de princesa: muito xadrez, corpetes e cintura marcada por cintos largos.


    O mix de referências para os brasileiros não soa estranho, faz parte do DNA miscigenado. Fica o desejo de ter um pouco de cada coleção que acompanhamos na temporada e a vontade de criar nosso próprio espaço, um pedaço de história a ser contada, dentro e fora dos guarda-roupas.
 

Esta coluna foi assinada por Crib Tanaka