| Distúrbios Alimentares: Corpo em Alerta |
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| Por Ana Severo | |
| 13 de May de 2008 | |
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Quando pensamos em distúrbios alimentares, geralmente o que vem a nossa cabeça são os casos envolvendo celebridades (em sua maioria, mulheres) ou que, infelizmente, levaram à morte de alguém (coincidência ou não, também em grande parte, mulheres) e, por isso, o episódio ganhou destaque na mídia e tomamos conhecimento. É só pensar na controvérsia envolvendo o peso das atrizes Keira Knightley, Angelina Jolie, Christina Ricci e da ex-Spice Girl, Victoria Beckham, entre muitas outras. De tanto focarmos este assunto nas mulheres, acabamos esquecendo que os distúrbios alimentares – dos quais fazem parte a anorexia e a bulimia – atingem também aos homens. Principalmente numa época em que os metrossexuais predominam no imaginário masculino vigente – vide Hedi Slimane e seu estereótipo do homem ideal. Fotos: reprodução Segundo a nutricionista Renata Lamarão, especialista em obesidade e emagrecimento, distúrbios ou transtornos alimentares envolvem interações entre fatores psicológicos, fisiológicos e até mesmo ambientais, levando a um comportamento alimentar perturbado que se mantém até que haja interferência médica. Dentre eles, podemos citar a anorexia nervosa, caracterizada pela restrição voluntária de alimentos e emagrecimento; e a bulimia nervosa, descrita pelos freqüentes episódios de consumo compulsivo de alimentos, seguidos por um ou mais métodos compensatórios impróprios para prevenir o ganho de peso (indução de vômitos, uso abusivo de laxativos, diuréticos, jejuns prolongados ou excesso de atividade física). “Existem também os distúrbios alimentares não específicos, nos quais os indivíduos apresentam sintomas parciais de anorexia e bulimia e, por último, os distúrbios por consumo compulsivo excessivo de alimentos sem os mecanismos compensatórios característicos da bulimia”, explica Renata.
Entre os homens, os distúrbios não ocorrem com a mesma freqüência das mulheres e, por isso, muitas vezes são negligenciados. “A porcentagem de casos de anorexia em homens é muito baixa: cerca de apenas 8% dos casos. Na bulimia esse número sobe para 15%, e no transtorno da compulsão alimentar periódica ultrapassa 20%, sendo que alguns autores falam de até 40%”, afirma a também nutricionista Lara Natacci Cunha. Segundo ela, pesquisas apontam a obesidade ou o sobrepeso infantil como um dos mais presentes fatores de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares em homens, estando presentes em cerca de 50% dos casos.
Já entre os adultos, um grupo que chama atenção pela grande incidência de indivíduos com algum tipo de distúrbio alimentar é o dos homossexuais. “Um estudo realizado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Columbia, Nova York, aponta os homossexuais e bissexuais como os com maior risco de desenvolver transtornos alimentares quando comparados aos heterossexuais”, diz Renata Lamarão. O levantamento deste estudo incluiu 516 moradores (entre homens e mulheres) da Big Apple, dos quais 126 eram homens heterossexuais e o restante, mulheres e homens homo e bissexuais. Os resultados mostraram que mais de 15% dos homens homo ou bissexuais já tinham sofrido de anorexia e bulimia em algum momento da vida ou apresentavam sintomas desses distúrbios. Para Ilan H. Meyer, coordenador deste estudo, a razão pela qual os homens gays sofrem mais desses problemas ainda não está clara. Uma hipótese é que os valores e normas da comunidade gay enfatizem a importância da aparência física e do corpo perfeito, de modo parecido com o que acontece no mundo feminino.
Em qualquer um dos casos citados, o diagnóstico só poderá ser realizado por um profissional, pois o tratamento é feito por uma equipe multidisciplinar (médico, psicólogo, psiquiatra e nutricionista) e inclui terapia individual, medicação (em alguns casos) e orientação nutricional. Por outro lado, os sintomas podem ser detectados por pessoas próximas aos doentes. “Uma observação familiar sobre a mudança dos hábitos alimentares e de comportamento diz muita coisa, principalmente quando há preocupação excessiva com o padrão estético”, lembra o personal trainer Marcus Vinícius da Academia Estação do Corpo, do Rio de Janeiro. É importante lembrar que a atividade física não ameniza os malefícios de uma alimentação inadequada. Para a nutricionista Fúlvia Gomes Hazarabedian, da Academia Bio Ritmo e da FGH Consultoria Nutricional, de São Paulo, “vale ressaltar que a alimentação é o maior aliado para a otimização de resultados do seu treino, assim como para a melhora de rendimento e performance”. Por isso, lembre-se de não treinar em jejum; não deixar de se alimentar após o treino; procurar consumir alimentos leves antes de treinar, evitando gorduras; manter-se sempre hidratado, principalmente durante a atividade física; não pular refeições; não ficar longos períodos sem se alimentar; não passar o dia contando calorias: nem do consumo e nem do gasto; não deixar de ter prazer em comer; não se esquecer de que o alimento é seu aliado e não o vilão.
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