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Single World Fashion: Moda ou Tendência Universais? Imprimir E-mail
28 de May de 2008

    O mundo segue uma única moda. Pelo menos é o que acreditam os fashionistas ao denominarem de globalized fashion a padronização da cultura da moda. O fenômeno globalizante fez essa indústria avançar sem precedentes, rompendo barreiras geográficas, nacionais, políticas, religiosas e até morais. "Agora vivemos em uma comunidade global, compartilhando não só idéias e valores, como também a moda", diz Tommy Hilfiger. O estilista ainda ressalta que as fronteiras são fluidas na hora de se fazer negócio: "As pessoas no Japão estão interessadas na moda tanto quanto as pessoas na Argentina, na Rússia ou em Dubai".

     Caminhando ainda em direção à Single World Fashion, as grifes internacionais já têm uma opinião consolidada e apostam cada vez mais na realização de fashion shows em locais que antes não se abriam para esse tipo de indústria. A Fendi é uma empresa que vê na uniformização uma moda e não apenas uma tendência. Um bom exemplo disso foi a realização, no outono passado, do primeiro grande evento da grife na Grande Muralha da China. A gigante asiática servirá como plataforma para a expansão dos negócios da marca na Ásia. Já a Louis Vuitton apostou no convite de ícones marcantes do cenário político mundial para estrelar sua campanha de malas de viagem: contratou para ser seu poster boy nada mais, nada menos que o último presidente da extinta União Soviética, Mikhail Gorbachev.

Foto: reprodução

Gorbachev em 2007 na campanha de malas Louis Vuitton

    Entretanto, há aqueles que vêem a Single World Fashion como uma tendência ocidental de moda entre os que podem consumir grandes marcas, e não como um padrão fashion cultural seguido em todo o planeta. Os avanços globais da moda ainda esbarram em certos valores, como a religião e a consciência moral. Mesmo que uma muçulmana rica de Dubai use malas Louis Vuitton e sapatos Prada, é complicado pensar que ela vai ultrapassar as barreiras de sua cultura e vestir um jeans Dolce & Gabbana. O mesmo vale para uma chinesa ou japonesa, que, embora mais adaptada à cultura ocidental do que a mulher muçulmana, não deixa de lado suas raízes e mostra restrições quanto à utilização de algumas peças do vestuário e de certos padrões de beleza ocidentais.

     Para os opositores da padronização da cultura fashion, a transnacionalização do capital empregado na indústria da moda é a principal geradora de uma falsa homogeneização de valores. Como a maior parte desse capital transnacional é oriundo dos EUA e da Europa, locais que também dominam essa indústria, fez aqueles que crêem na Single World Fashion atribuírem à força desse capital a capacidade do mundo pensar, agir e porque não se vestir de acordo com os moldes ocidentais. No entanto, essa teoria pode naufragar uma vez que as questões de alteridade, aliadas às barreiras sócio-econômicas e culturais, não são muito fáceis de se ultrapassar, assim como faz o capital durante a realização de um negócio. O dinheiro tem sim, por ser altamente volátil, a competência extraordinária de financiar e expandir diversos empreendimentos em qualquer parte do mundo, vide a indústria fashion. Porém, será ele capaz de pôr de lado as diferenças culturais e acabar com essa que é, sem dúvida, a maior riqueza do planeta?

Coluna assinada por Gabriella Coutinho