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China e Ásia Imprimir E-mail
Por Fernanda Weber   
11 de June de 2008

 Por Fernanda Weber

     Desde o começo do ano a China está em pauta. No mundo da moda, o famoso calendário Pirelli de 2008 foi inspirado na cultura oriental; Walter Rodrigues usou a China como inspiração para sua nova coleção de Verão 09, apresentada neste Fashion Rio; uma grande exposição sobre design e arte na China atual está acontecendo em Londres; a muralha da China foi palco de desfiles de moda (da Fendi e de YohjiYamamoto); lançamentos de produtos de moda em homenagem às Olimpíadas (Coleção Limitada da Gucci) e discussões sobre o país estão acontecendo no mundo inteiro, que está curioso em realmente conhecer a China do século XXI.

Fotos: reprodução

Rua de cidade da China, perto de Guangzhou

     2008 é um ano bastante especial para a China, que já está presente em importantes países do mundo com seus produtos mas ainda está sendo "apresentada" ao Ocidente. Em poucos dias, as Olimpíadas de Pequim começam e a nação aparecerá para o mundo, mostrando o que tem de mais tecnológico e moderno em sua arquitetura, engenharia, design etc. A cultura chinesa atual será apresentada sob nova perspectiva, e visto com um olhar diferente do ocidente.

     O mercado de moda lá é grande e está crescendo ainda mais. O número de confeções e fábricas de produtos de moda em geral não pára de aumentar, já que e o país está aberto à negociações e trocas de serviços com outros países. Até pouco tempo atrás empresas estrangeiras tinham dificuldades em se instalar na China. Porém, com o apoio do goveno, que encoraja privatização de suas empresas estatais por investidores privados nacionais ou internacionais, a China abriu as portas para o mundo.

     Hoje o número de empresas estrangeiras se instalando por lá é grande e está em expansão, ganhando mercado junto às empresas chinesas. Companhias brasileiras como a Arezzo estão apostando no mercado local (conhecido pelos produtos baratos e básicos), trazendo inovação, design e funcionalidade. A Arezzo, por exemplo, visa com o negócio o mercado que abrange a crescente classe média de uma das maiores populações do mundo, vendendo sapatos produzidos no Brasil. O intercâmbio entre Brasil e China já começou e tende a crescer com investimentos de ambos os lados. De acordo com Charles Tang, Presidente Binacional da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, os chineses têm o que as empresas brasileiras necessitam: baixo custo,
máquinas de boa qualidade e experiência de comércio internacional (que invadiu o mundo com o "Made in China"). E a China ganha com os produtos brasileiros, qualidade, design e inovação.

     A mão-de-obra barata é uma realidade espelhada no preço final dos produtos, que são revendidos fora do país a preços que não condizem com sua qualidade e design. A realidade do mercado de moda na China não é nada glamurosa, apesar das belas imagens de suas Semanas de Moda, que acontecem desde a década de 90 apresentando coleções de Primavera-Verão e Outono-Inverno todos os anos.



China Fashion Week

 
      A China atual tem sede de moda, de estilo e os melhores produtos e serviços, mas também tem fábricas onde seus empregados trabalham com pouca estrutura arquitetônica e de ergonomia. É comum empregados morarem nas fábricas e trabalharem sete vezes por semanas, às vezes chegando a quinze horas ou mais de trabalho diários. Ao mesmo tempo em que as grandes cidades como Pequim (Beijing) ou Shanghai são consideradas novas capitais mundiais de tendências de moda, design e tecnologia, a nação também possui regiões pobres sem acesso à cultura que passaram a sobreviver de pequenas, médias e grandes fábricas de produtos de moda que são exportados para o mundo inteiro a baixos custos.



Cidade de Guangzhou

      Neste mesmo esquema de vida e trabalho, chineses vão viver em países que possuem grandes mercados de moda atrás do mercado de acessórios (bolsas). Na Itália por exemplo, muitos chineses trabalham no estilo e no ritmo que se trabalha na China e no final da produção, costuram em seus produtos a tão valorizada etiqueta "Made in Italy", já que o "Made in China" ainda gera desconfiança e preconceito. Outro mercado parecido com o de confeções chinês é o mercado indiano, que possui características similares como mão-de-obra barata e alta produtividade.

     A produção de moda na Índia virou inclusive tema de um reality show produzido pela rede britânica BBC3, que levou alguns jovens ingleses que tinham interesse e/ou estudavam moda para trabalhar em uma confeção que produzia modelos de exportação para marcas internacionais .O programa intitulado "Blood, Sweat and T-Shirts" (algo como "Sangue, Suor e Camisetas" em tradução livre) mostra a realidade da produção de produtos de moda em larga escala que acontece na Índia, China e outros paises da Ásia. Com o "fast-fashion" (termo baseado no conceito de "fast food") a China está ganhando espaço e mais experiência em comércio internacional. A idéia de "moda passageira", a "modinha" que muda de semana em semana e que é "descartada" em pouco tempo é a idéia de sucesso de empresas como a sueca H&M e a TopShop de Londres, que recebe cerca de 100 novos produtos feitos na Ásia toda semana.



Fábrica de bolsas na China

     A moda de rua da China é bem diferente da brasileira. Chineses são fascinados por roupas e acessórios de marcas famosas e são exagerados nas composições dos seus looks. Os cabelos têm grande importância no look, que tem muitos detalhes em tudo, nas calças, blusas, bolsas, unhas etc. As referências a personagens de desenhos animados estão em detalhes das roupas e penduricalhos em geral. O mercado de falsificados é enorme e existem ruas onde só se encontra produtos falsos, quase iguais aos originais e a preços de fábrica. A comida chinesa causa estranhamento no começo, mas é bastante saborosa quando se acostuma com os temperos e cheiros do país.



Coleção Edição Limitada Gucci-China - Em comemoração às Olimpíadas de Beijing

     Minhas impressões sobre a China são variadas. Acho os chineses acolhedores e atenciosos, e acredito que ainda estão se acostumando com a presença contínua de estrangeiros interessados em sua cultura e trabalho. A língua ainda é uma barreira importante na comunicação, e para que
a comunicação se estabeleça, o governo está investindo em campanhas que incentivam os chineses a aprender a falar inglês, além de mudar alguns hábitos "mau vistos" pelos estrangeiros ocidentais (como cuspir na rua por exemplo). As mulheres estão trabalhando nas cidades e comandando fábricas de produtos de moda enquanto muitos homens estão no campo. As mulheres chinesas também estão estudando (muitas das que comandam fábricas já falam inglês), e se preocupam muito com a aparência pessoal. As chinesas preservam algumas referências estéticas de sua cultura milenar como a pele muito branca, que é valorizada e incetivada por campanhas de marcas de cosméticos.



Memorial em Guangzhou

     A verdade é que a China está em alta e as oportunidades de conhecer mais sobre este país estão por toda parte. O importante é prestar a atenção e saber sobre o seu potencial, tanto economicamente como culturalmente.

Coluna assinada por Fernanda Weber.