| Semana de Moda de Milão |
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| Por Ana Severo | |
| 01 de July de 2008 | |
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Embora a gente comece a acreditar que o Brasil abriu a temporada de desfiles para a Primavera/Verão 2009, a ferveção de verdade só começou no dia 21 de junho, em Milão. Lá, as coleções masculinas foram desfiladas por marcas internacionalmente conhecidas e que (elas sim) influenciam a moda mundo a fora. Confira os maiores destaques! Fotos: reprodução Na Versace, o homem apresentado por Alexandre Plokhov é amante de cores claras para o dia – numa cartela que lembra algodão doce, com verdinhos, azul bem clarinho, amarelo, rosa e lilás – e cores mais fortes e escuras para a noite, como preto, cinza e marinho. O branco permeou os dois momentos da coleção. As roupas são mais largas, confortáveis, algumas vieram com recortes geométricos, outras com tecidos tecnológicos (o que conferiu certo brilho, principalmente nos looks finais) e apenas uma única estampa, que lembrava uma espiral de fumaça. O homem da grife sabe aliar formalidade e casualidade em looks descontraídos e, ao mesmo tempo, ultra-elegantes.
Para a Burberry Prorsum, Christopher Bailey buscou inspiração no artista multimídia britânico Derek Jarman (já falecido, vítima da AIDS), e especialmente em seu jardim, em Dungeness (vilarejo na costa inglesa). Daí o chapéu característico de Jarman, o ar de melancolia (para Bailey, existe sensualidade na tristeza. Algo bem inglês, não?) presente na cartela escolhida, recheada por tons mais sombrios, opacos, como cinzas, verde musgo, caramelo, beges etc. A revitalização dos clássicos da marca, desta vez, apareceu nos tecidos amassados e na forma de usar as peças – quase sempre sobrepostas. Muito chique!
A Dolce & Gabanna mostrou uma infinidade de ternos com jeitão de pijama. Ou seja, com calças mais largas (algumas até com amarração na cintura), tecidos molengões (com mais ou menos brilho, mas, a maioria, listrados), ares de quimono em outras peças e shorts com cara de samba-canção. Ao que a coleção indicou, conforto foi a palavra-chave! Nas peças mais formais, a calça é mais sequinha (ou, simplesmente, reta), usada com gravata skinny e camisa ajustada ao corpão do homem da marca.
Outro destaque foi a Bottega Veneta, sob a direção de Tomas Maier. Ele começou a coleção – aliás, bem masculina – num verdadeiro estilo pijama (com direito a listras e tudo) presente em camisas, blazeres e calças. As cores (que não ficaram apenas no preto, cinza e branco) deram um toque de refinamento às peças 100% usáveis fora das passarelas, bem como as maxi bolsas usadas como acessório.
A Gucci, nas mãos de Frida Giannini, quer aliar luxo e juventude – é só prestar atenção na trilha do desfile, da dupla nova-iorquina MGMT. Estampas tropicais (de flores e animais), bordados e aplicações em jaquetas de couro e em jeans de coloração dégradé. Tudo isso, caminhando harmonicamente ao lado de peças de alfaiataria (mais ajustadas, rejuvenescidas). Nas cores, uma bela seqüência de turquesa e outros tons de azul, preto e branco, com toques de cores bem vibrantes.
O estampado colorido de formas curvas – marca registrada da Etro – esteve presente no cenário de fundo da passarela e nas estampas de camisas, shorts, calças, faixas usadas como cinto e até mesmo robes. Tudo combinando com as cores escolhidas para representar a estação: ocre, mostarda, verde musgo, laranja, marrom, cinzas – enfim, tons terrosos. O brilho da seda, aliada ao amassado do linho presente nos ternos, ajudou a compor looks exóticos, despojados (teve até sarongue!), com perfume de Oriente.
E por falar em aromas orientais, o desfile de Giorgio Armani foi uma das melhores surpresas da temporada italiana. Ele começou com tons sóbrios (como beges, grafite, marinho, preto), foi suavizando com tonalidades mais claras de bege, cinza e azul, voltou a ter cores mais escuras (marrons e outros terra, azul Royal, novamente preto etc) e terminou numa magnífica série de lilases, roxos e afins. Os ternos do início, aliados aos looks mais descontraídos, mostrados ao longo do desfile, me lembraram o filme “Viagem a Darjeeling”, mas sem estereotipar. Elegância, masculinidade, ares dandy – tudo com muito xantungue de seda, estampas de jaquards, couros levinhos, algodão. Um colírio para os olhos e para a alma (não só a masculina!). Calças estilo pijama, outras lembrando sarouels (com o gancho mais baixo), coletes, bermudas, camisas, túnicas – composições quase sempre acompanhadas por echarpes soltas sobre os ombros, numa atitude pensada de displicência. Os demais desfiles serão comentados, aqui, ainda esta semana. E, semana que vem, voltamos com o melhor da moda masculina apresentada na semana de Paris. |


















