|
Há algum tempo que a moda se tornou muito mais do que simples glamour, modelos bonitas na passarela e tendências para as próximas estações. Para entender de moda hoje é preciso entender também de economia e negócios e tudo isso porque os conglomerados de moda chegaram no Brasil, pelo jeito, para ficar e crescer. Esta prática é uma tendência que está na ativa na Europa e nos Estados Unidos desde o início dos anos 90, mas o que exatamente isso significa? Significa que empresas de moda acabam se unindo a grupos de investidores com o intuito de que suas marcas cresçam tanto nacional como internacionalmente. Alguns conglomerados já conhecidos são: LVMH (Louis Vuitton, Christian Dior, Marc Jacobs, Pucci, Loewe, Möet&Chandon), PPR (Gucci, Alexander McQueen, Balenciaga, Botega Veneta) e Premira que recentemente adquiriu o grupo Valentino. No Brasil, o primeiro grupo a iniciar esta prática foi o AMC Têxtil que pertence à família Menegotti. A família de Santa Catarina, que já era dona da empresa Menegotti Malhas, comprou as marcas Sommer, de Marcelo Sommer e Colcci, de Lila Colzani. Hoje eles também compraram as marcas Carmelitas, o licenciamento da linha têxtil da Coca-Cola e, mais recentemente as marcas do grupo TF, Triton, Forum, Forum Tufi Duek e Tufi Duek. Segundo Alexandre Menegotti, diretor do grupo, a AMC é hoje o maior conglomerado de moda do Brasil e teve só no ano passado um faturamento por volta dos R$500 milhões. Mas para as pessoas que desejam comprar ações do grupo não vai ser possível, pois o próprio Alexandre diz “a AMC é uma empresa familiar e não pensamos em abertura de capital, pois da maneira que estamos agindo temos custos menores.”
Fotos: reprodução
 Look da Forum para a primavera/verão 08-09 Outro grupo que também vem crescendo é o InBrands, holding que cuida de toda a parte logística e financeira das grifes Ellus, 2nd Floor e Isabela Capeto. Neste ano estima-se que o faturamento da empresa será de R$ 500 milhões e em dois anos pretendem duplicar este faturamento. A grande promessa do grupo segundo Nelson Alvarenga, um dos sócios da holding, é de fazer com que as marcas não percam sua identidade. Não perder a identidade foi também a afirmação feita pela AMC ao fechar contrato com o grupo de Tufi Duek. O próprio Tufi ficou encarregado de toda a direção de criação e estilo das marcas por três anos com contrato renovável automaticamente.
 Ellus primavera/verão 08-09
Entre estes grupos que vêm crescendo, porém, o Identidade Moda (I´M), pertencente ao HLDC Investimentos, que em janeiro anunciou a aquisição das marcas de Herchcovitch, Fause Haten, Clube Chocolate, Zoomp e Cúmplice acabou perdendo duas de suas aquisição em menos de seis meses e com isso perdendo também muito dinheiro. O primeiro a se desligar da I´M foi Herchcovicth que em abril desfez o negócio e perdeu assim seu cargo de diretor de estilo da Zoomp e de curador da própria I´M. Porém, conseguiu manter as marcas que levam o seu nome. O outro desligamento que ocorreu dias antes da SPFW foi o de Fause Haten. O estilista além de tudo perdeu a sua marca, pois já havia concluído a venda. Criou uma marca independente, a FH, que desfilou na última edição do SPFW e afirma “não perdi a minha a minha marca. A minha marca sou eu, minha cabeça, minhas mãos. Onde eu estiver minhas clientes estarão”.  Alexandre Herchcovitch primavera/verão 08-09
O motivo pelo qual estes problemas aconteceram com a I´M é que acabam sendo discutidos. Os estilistas que venderam as suas marcas (no caso de Herchcovicth não foram concluídas as negociações) afirmam que não viram o crescimento esperado. Fause afirma inclusive não ter recebido nem mesmo os pagamentos que foram negociados.
 FH por Fause Haten primavera/verão 08-09
A própria I´M admite que os meses que seguiram as compras foram difíceis para todos, o que fez, inclusive, que eles tivessem que prolongar o prazo de pagamento para fornecedores.Talvez por pura ingenuidade e por achar que iriam fazer milhões logo no início e se esquecendo dos milhões que deveriam gastar com investimentos em qualidade e expansão das marcas, a I´M acabou se tornando um conglomerado que não deu certo e tornando-se um grupo praticamente natimorto.
Coluna assinada por: Marina Gentil
|