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Semana de Moda de Milão - Parte 2 Imprimir E-mail
Por Ana Severo   
04 de July de 2008

     Sentiu falta de algum desfile? Pois então, aqui está a continuação da semana italiana!

     Enio Capasa apresentou “36 idéias para o futuro” com a Costume National, tudo com uma cartela de cinzas tendendo ao prata, com tecidos tecnológicos, transparências e muito brilho, e cortes com ar retrô e, ao mesmo tempo, futuristas. Raf Simmons, para Jil Sander, mostrou uma coleção bem geométrica (atenção não apenas para os desenhos que os recortes e cores desenham na roupa, como nos fechos dos zíperes), que valoriza a silhueta masculina slim e tem no preto sua cor de base, pontuada ora por tons neutros, ora por cores mais vivas.

Fotos: reprodução

Costume National e Jil Sander

     Angela Missoni apresentou uma coleção mesclada por tons terrosos a outros de coloração bem suave, lembrando as férias de verão, com direito a areia, mar, um pouco de verde. Sempre presente, os tricôs carro-chefe da marca são objetos de desejo; os ternos de alfaiataria impecável, alla italiana e, nos pés, sandálias – como pede a estação. Alexander McQueen começou mostrando uma coleção de cores claras e corte super estruturado, valorizando uma silhueta fragmentada, em que a divisão do corpo entra na confecção das peças. A cartela vai escurecendo ao longo do desfile e os materiais e estampas se tornam cada vez mais inspirados no futuro tecnológico e não no verão em si – uma idéia de que a roupa transcende a estação.


Missoni e McQueen

     No desfile da Prada, Miuccia Prada busca equilibrar seu homem entre fragilidade e poder. E tal fragilidade é traduzida na brincadeira feita com as proporções e comprimentos. Vide os grandes decotes (alguns em “v” profundos), que deixam de fora peito e barriga, os tricôs em gola canoa exagerada cujo foco é o colo; as blusas super curtas; as pólos que de tão compridas lembram vestidos bem curtinhos. Tudo com certo ar esportivo (sem deixar de lado os ternos impecáveis da marca) e dentro da cartela composta principalmente por preto, azul-marinho, grafite, verde-musgo, mostarda, branco e gelo.


Prada

     Roberto Cavalli apostou nos opostos: pantalonas com barra italiana versus calças bem sequinhas, com corte reto. Jaquetas e blazeres de couro, parkas, echarpes e alguns terninhos deram o tom desta coleção pensada num “Bohemian Safari” – tudo, claro, recheada pelas estampas típicas da marca. A Emporio Armani se afirma como parte mais jovem da marca-mãe, esportiva, mas sempre carregada de classe. Desta vez, destaque para as calças harém, para o tecido de algodão enrugado, sem deixar de lado os ternos super bem cortados.


Cavalli e Emporio Armani

     Neil Barrett adotou o jérsei como base de sua coleção, que mesclou formalidade e despojamento em peças com cara de alfaiataria e um quê esportivo, como as calças com referência à leggings. Na Moschino, mesmo com alguns modelos carregando cestinhas de piquenique (sugerindo atividades ao ar livre), começo a acreditar que o verão europeu já não é mais tão quente. Afinal, assim como grande parte do que se viu em Milão, as cores escuras predominaram em sua passarela, assim como a padronagem escolhida – o xadrez – também não é lá muito a cara da estação. Apesar de ser uma marca voltada mais ao público jovem, estava tudo certinho demais, comportado demais para se pensar em juventude.


Neil Barret e Moschino

     Na grife de Salvatore Ferragamo, o designer Massimiliano Giornetti mostra que o homem elegante de verdade é assim o tempo todo. Tanto que os looks noturnos passearam ao longo de toda a apresentação. Atenção aos detalhes como bordados e brocados presentes em camisas e bermudas, aos tricôs, no corte exímio dos costumes. Quase tudo em looks monocromáticos ou em tons dégradés. Um arraso!


Salvatore Ferragamo

    Em breve os últimos desfiles de Milão e, a partir da semana que vem, a Semana de Paris.